domingo, 31 de agosto de 2014

Casa nova


Este blog terminou aqui!
Novas postagens em http://dreds6.blogspot.com

Vejo vocês lá! =)

Meu livro! =)
 

terça-feira, 4 de março de 2014

Mudança - parte 1


Bom, como foi MUITO, mas MUITO tempo sem postar, vai ter que ser por partes.

Esta primeira parte vai ser sobre a logística insana que é uma mudança...

Mudar de casa é sempre uma complicação. E esta complicação pode ser maior ou menor dependendo de vários fatores: é pra mesma cidade? Você vai comprar ou alugar sua nova casa? Você vai fazer a mudança ou vai contratar empresa?

Quando se muda dentro da mesma cidade as complicações são menores porque não envolvem mudança de escola ou de emprego, pra dizer o mínimo. Não foi meu caso. Então vamos aos passos:

Primeira providência: escola pras crianças.
Em setembro estivemos aqui em Sorocaba pra olhar escola para os meninos. Esta foi a parte mais fácil de todo o processo. Ao contrário de Belo Horizonte, aqui pouquíssimas escolas exigem uma prova de conhecimento pra admissão dos alunos. Escolhemos uma que mais gostamos e fizemos todo o restante do processo por email e correio. Foi bem fácil e bastante flexível, ao contrário de todo o resto.

Segunda providência: um novo lugar pra morar.
Em setembro também olhamos apartamentos (não gosto de casas). Fomos em vários. Sugestões: levem papel e caneta e anotem tudo no papel na hora da visita, porque depois é muito difícil de lembrar de detalhes. No nosso caso a coisa foi um pouco mais fácil porque já conhecíamos a cidade e tínhamos uma ideia de onde queríamos morar, mas mesmo assim tivemos que olhar diversas opções em virtude de preço/disponibilidade.
Algumas coisas importantíssimas antes de fechar contrato: verificar se TODOS os impostos e contas do imóvel estão em dia (luz, água, IPTU, condomímino). Depois que você entrar no imóvel o problema passa a ser seu, então cuidado. Eu e Fernando nos demos mal uma vez com isso e depois aprendemos.
Verificar se o imóvel está mesmo livre de qualquer ônus, de alienação no banco, estas coisas. Certidão negativa de todos os envolvidos.
Outro detalhe que aprendemos agora: evitem ao máximo comprar apartamento em que a pessoa ainda esteja morando. Se for a única opção, deixem muito claro no contrato qual a data de saída do atual morador, estipulem multa em contrato e tal. Mesmo assim o rsico é grande porque se a pessoa não quiser sair, é bem difícil tirá-la de dentro do lugar onde ela já está. Tivemos muita dor de cabeça com isso, então eu aconselho que não façam. Foi a primeira vez e com quase toda certeza a última.

Terceira providência: cartório, banco, imobiliária, prazos.
Aqui rola o seguinte: qualquer prazo que te derem, multiplique por DOIS. Até três. NUNCA sai na data. Tivemos o azar de pegar as festas de final de ano, o cartório atrasou, o banco atrasou e tudo o que queríamos fazer foi ficando cada vez mais difícil e desesperador. Isso fora a grana que vai no processo todo...

Quarta providência: a mudança em si.
Coisas pra fazer antes: ir consumindo o que quer que esteja na geladeira e/ou freezer pra que tudo tenha acabado até a data da mudança, já que os dois precisam ser desligados antes da mudança em si.

Sei que existem várias empresas de mudanças. No meu caso sempre fiquei atrelada à empresa escolhida pela empresa onde o Fê trabalha. No nosso caso, eles embalam absolutamente TUDO e levam as próprias caixas, o que é uma mão na roda. Se não for o seu caso, é preciso juntar caixas e ir embalando as coisas aos poucos. O importante é ficar de olho pra organizar as caixas da melhor forma possível e escrever nelas em qual cômodo ficam e mais ou menos o que é que está lá dentro, porque ajuda muito na hora de desembalar. Caixas cheias de livros costumam ficar muito pesadas, cuidado com isso se você mesmo for fazer a mudança. Eles também embalam roupas, mas de qualquer jeito, portanto se vc quer ter menos trabalho na casa nova sugiro que você mexa com as roupas. Outra coisa: as empresas de mudança não costumam transportar inflamáveis (álcool, removedor, etc.), armas de fogo, computadores (notebooks) e joias. Separem tudo. Eu também recomendo que vocês levem documentos pessoais com vocês, pra não correr riscos.

Já tenha definido na casa nova onde será o quarto de quem, para que as caixas e móveis possam ser colocados já nos seus locais definitivos. Ajuda muito na loucura de ter que encontrar um lençol pra passar a noite por exemplo. As empresas que usamos descarregam tudo e colocam onde queremos, montam os móveis básicos (mesa, sofá e camas) e se mandam. O resto é tudo por sua conta.

Separe um lugar na casa pra ir empilhando as caixas vazias (desmontadas elas ocupam menos espaço) e boa sorte.
O pior lugar na minha opinião é a cozinha, porque é preciso lavar todos os copos, pratos, talheres, panelas... Demora uma eternidade pra arrumar. Se vc vai entrar com a sua família toda junto (eu tive alguns dias sozinha pra arrumar antes do Fê e as crianças chegarem), deixe separado um kit básico de copos, pratos e talheres. Nos primeiros dias cozinhar é quase impossível. Macarrão ou hamburger salvam vidas... kkkkk

Vá tirando as coisas das caixas e já guardando nos seus lugares definitivos (ou quase). Tirar sem guardar é trabalho em dobro, não faça isso. Em alguns momentos a mudança parece que nunca vai acabar, é desesperador. Eu sentava uns 10 minutos pra descansar e mudava de cômodo com frequência: depois de um certo tempo o trabalho num cômodo parece que estanca porque sobram só as "miudezas" (cada vez que eu via uma caixa com isso escrito eu queria sumir) e parece que não vai acabar nunca.

Mas acaba!

No meio de toda esta loucura eu tive que fazer treinamento para meu novo emprego, comecei a trabalhar aqui antes de nem sonhar com a chegada da mudança, dormi em hotéis, dormi no meu próprio apartamento vazio, ficava a semana toda sem ver meus filhos e marido... Não foi fácil e em alguns momentos era extremamente desesperador e frustrante.

Mas finalmente estamos aqui. Já faz quase um mês que entramos no apartamento (dia 7 de fevereiro) e não tenho nenhuma caixa fechada. As coisas que ainda não estão em seus lugares ainda dependem de móveis que precisamos fazer, mas praticamente tudo o que tínhamos que arrumar já arrumamos: cortinas instaladas, quadros pendurados, lustres já comprados.

Minha rotina tem sido insana desde então, e ainda há muitas coisas com as quais eu preciso me acostumar.
Mas isso é assunto pro post parte 2.

Beijos,

Meu livro! =)
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diga o que precisa dizer...


Tenho escrito bem menos do que gostaria. Poderia dar mil desculpas, mas a verdade é que não andei a fim.

Existem alguns momentos ou fases na vida da gente em que simplesmente temos muitas coisas com que lidar. Meus procedimentos internos são sempre complexos e desgastantes. Minha cabeça e meu coração pensam grande, de um jeito que nem sempre eu posso acompanhar.

Aos 35 anos completados em outubro, muitas questões têm vindo à tona. 
Algumas coisas são bem difíceis de mudar.

Quando você passa toda a sua vida ou a maior parte dela fazendo as coisas de um jeito, ou SENDO de um jeito, é bem complicado jogar tudo pro ar e mudar, mesmo que saibamos que é necessário ou mesmo que a gente queira mudar.

E vocês vão ver que o assunto é o mesmo de uns tempos atrás...

Como acredito que quase vocês todos sabem eu continuo fazendo terapia. Gosto, embora não seja sempre fácil. Mas é um momento tão meu e tão particular, é uma das poucas coisas que ainda faço exclusivamente por mim. E durante uns 3 ou quatro meses as minhas sessões de terapia e o meu humor refletiam uma coisa apenas: a inadequação que eu sentia em ter me tornado,  - depois de uma faculdade, duas pós graduações, inglês fluente - uma "mera" mãe/dona de casa e uma "mera" professora de inglês. 

Lutei bravamente, por muitos meses, com a sensação de falta de valorização (vamos deixar bem claro que nunca do meu marido ou meus filhos) das pessoas em geral tanto da maternidade quanto da docência. Um sentimento que me incomodava profundamente, que queria que eu fosse "mais", que fizesse "mais", que ambicionasse "mais". E a cada dia da minha atribulada rotina de mãe, professora, esposa, dona de casa eu me sentia pior ainda, como se eu estivesse sendo engolida por uma vida que não deveria ser a minha. 

Este é um conflito que sei que não é só meu. Tenho amigas: mães, mulheres casadas que ainda não decidiram se vão ou não engravidar, amigas separadas com filhos. Todas, TODAS, se perguntando diariamente se estão fazendo a escolha certa, se estão se dedicando ao trabalho e aos filhos na medida certa, se estão fazendo aquilo que deveriam, se não deveriam ter escolhido um caminho diferente. 

Não tenho respostas prontas pra vocês, infelizmente. Nem soluções mágicas. Só posso dizer o que funcionou pra mim.

Hoje, analisando tudo, eu vejo que esta desvalorização nunca foi das pessoas, ou da sociedade, ou dos alunos. A desvalorização sempre esteve em mim! Fui sempre eu quem desvalorizei a docência e a maternidade, ocupações "menores" em virtude de tudo o que eu poderia ter escolhido: ser executiva de uma grande multinacional, qualquer coisa deste gênero que é mais valorizada por muitas pessoas do que trabalhar meio período e ser mãe. Qualquer coisa que fosse menos feminina. 
Porque, vamos combinar, poucas coisas são tão femininas quanto a maternidade e docência. Estou falando do feminino mesmo, aquele lado nosso que nutre, que cuida, que doa. Um lado meu que, pra muitas coisas, sempre foi negado e colocado de lado. 
Eu sou muito boa pra fazer as coisas. Se tem que resolver e eu sei como fazer, eu dou um jeito. Mas não me peça pra lidar com o feminino: tudo que envolve a feminilidade é difícil pra mim. Saias e vestidos são adições recentes no meu guarda roupa, coisas que eu ainda estou aprendendo a usar. (Ana Clara SEMPRE me desenha de saia ou vestido). Tranquei o feminino lá no fundo da gaveta, escolhi ser "masculina" no sentido de ter aquela energia de realizar, focar, agir. O contemplar, esperar, cuidar foram sumariamente enxotados de minha vida. 

Isso não quer dizer em absoluto que não fazia nada disso, apenas que eram coisas não naturais pra mim, que exigiam uma energia e uma doação que me custavam e que eu estranhava. Hoje, olhando pra trás, considero uma conquista eu ter tido os partos exatamente como queria (ou quase - o domiciliar fica pra próxima vida!) e ter amamentado tanto tempo quanto amamentei, coisas que deveriam ser muito difíceis pra mim considerando-se tudo.

O sentimento de culpa era gigantesco. A confusão imensa. Eu amo minha família e ser professora, e ser professora e mãe foram escolhas conscientes minhas. Por que o perrengue então?

Em partes porque eu ouvi a minha vida toda um discurso de que eu deveria ser independente, viajar, ganhar o mundo e fazer o que eu quisesse na hora em que eu quisesse. Bem masculino. E em parte porque ser mãe e ser professora são um trabalho muito parecido: um trabalho em que os resultados só vão aparecer lá na frente. É muita ralação AGORA, pra um resultado lá no futuro. Bem feminino. Alguns trabalhos dão resultado mais rapidamente, e a ansiosa e neurótica aqui tem dificuldade com o DEPOIS. Fato é que de repente eu me via cuidando da casa, dependendo financeiramente do meu marido, com duas crianças que me tomam todo o tempo que eu tiver disponível e ainda mais se eu deixar (kkkk), com alunos que nem sempre valorizam todo o trabalho que a gente tem pra preparar uma aula...

Eu estava confusa.

Aos poucos, no entanto, as coisas começaram a se encaixar. Não sei como. 
Com certeza a terapia tem seu papel no direcionamento das perguntas importantes que eu deveria fazer. 
Fiz alguns cursos sobre o feminino, uma busca minha, que foram muito importantes pra eu parar de racionalizar e começar a sentir.
Aos poucos, conheci um movimento chamado de minimalismo. Não sigo tudo à risca, mas me fez questionar muitas coisas.
Me fez questionar uma vida baseada apenas em dinheiro ou posses ou coisas que o dinheiro pode comprar.
Me fez questionar trabalhar demais para ter uma casa linda da qual não se pode usufruir porque, bem, se está trabalhando demais.
Me fez questionar ter uma profissão que te suga e que não te deixa tempo pra estar com as pessoas que você ama fazendo as coisas que te dão prazer.
Li um texto sobre porque os profissionais de hoje estão insatisfeitos com suas vidas profissionais.

Aos poucos eu comecei a olhar pra minha vida e me dei conta do óbvio: a vida que eu levo é a vida de sonho de muita gente. É a MINHA vida de sonho.
Ganho pouco, mas trabalho pouco. Posso me dar ao luxo de ir ao shopping no meio da tarde, ou de ir na academia durante a manhã. Bato perna no bairro vendo as vitrines das lojinhas. Posso assistir um filme feliz da vida porque não tenho uma reunião super importante da qual participar. Posso levar e buscar meus filhos na escola e na natação. Posso ajudar a Ana com o dever de casa (isso quando não estamos brigando por isso! kkk), posso participar da enorme maioria das festas e celebrações escolares. Posso estar com eles e participar ativamente da educação deles. 

Eu tinha muito medo de que o meu marido me desvalorizasse por eu ser "apenas" mãe e "apenas" professora. MUITO medo. Ele nunca fez ou disse nada neste sentido: como eu disse antes, isso é coisa MINHA, da minha cabeça. Acho que eu nunca contei isso pra ele, que vai ler aqui e vai ficar brabo porque nunca conversamos sobre isso. Mas ele também vai lembrar que falar não é comigo. Não sou boa em falar de sentimentos que ainda não elaborei. A palavra escrita me dá o tempo pra escolher o que e como dizer, me dá tempo de elaborar e não perder a linha de raciocínio, me dá tempo de transformar em um post bonito o que poderia virar uma discussão boba (kkk).
Foi num jantar na casa da minha irmã este ano que ele disse o quanto me admirava como mãe, como mulher e como esposa. Como valorizava as escolhas que eu tinha feito por nossa família. Ele não sabe disso, mas aquelas palavras eu ainda guardo com carinho no fundo do meu coração, choro só de lembrar. Ali eu comecei a minha briga para justamente aceitar que eu não tinha que ser nada além do que eu já sou: o que eu sou é bom o suficiente. 

Que outra vida me permitiria mudar de cidade tantas vezes como me mudei e conseguir me estabelecer de novo? Conseguir um emprego? Acompanhar meus filhos? Meu marido?

Nesta mesma linha, desde que a minha empregada passou a vir apenas duas vezes na semana (não porque eu quis, por iniciativa dela), sinto que meu vínculo com as crianças aumentou. Sinto que o fato de eu fazer algumas coisas que eu não fazia - como o almoço por exemplo - e eles me ajudarem o mínimo que conseguem aumentou nosso senso de família e nosso vínculo de afeto e proximidade. Claro que muita gente vive sem empregada todo dia, e muita gente tem empregada todo dia. Cada um com seu cada qual. 

Não estou dizendo pra todo mundo jogar tudo pro alto, muito menos que esta é a forma ideal de se viver, muito menos que quem trabalha muito é infeliz ou está no caminho errado, ou que quem fica em casa o dia todo não tem ambição. Há muitas formas de se viver a vida. Eu estou feliz por ter encontrado a minha e por ter rompido com uma cobrança interna de ser uma pessoa que eu não sou e que não quero ser. Por ter descoberto que eu sou feliz com uma parte feminina de mim que por muitos anos escolhi renegar e dizer que não era importante.

Como eu vi uma vez uma moça escrevendo num blog: desculpa sociedade, desculpa revista Você S/A, mas eu tô muito feliz sendo assim: mãe e professora de inglês, com tempo pra fazer nada, pra curtir coisas simples como a feira de ciências da escola, um banho de piscina à noite, com tempo pra viver a vida que eu sempre quis, sem estar buscando o que eu não considero importante. Dinheiro é bom, trabalho é bom, ter ambição de fazer mais é bom. Ainda tenho muitos projetos. Muitas coisas que quero realizar em 2014. 

Mas olha, saber valorizar as coisas que já temos e que dinheiro nenhum deste mundo pode comprar, pra mim, é a melhor coisa que tem. Fazia tempo que não me sentia feliz e inteira assim.
Muita luz.

Trilha sonora deste post que, aliás, é trilha sonora do filme Antes de Partir. Se ainda não viram, tá recomendadíssimo! (ficou tocando no repeat!)



Meu livro! =)
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sobre cinema, crianças "high need" e rótulos

Quem tem dois filhos ou mais, mesmo que sejam do mesmo sexo, sabe que é quase inacreditável que estas criaturinhas nascidas do mesmo pai e da mesma mãe e criadas dentro da mesma casa sejam TÃO diferentes. 


Por mais que o contexto de cada criança mude (sim, há vantagens e desvantagens em ser o mais velho, caçula ou o do meio), os valores permanecem os mesmos.

Em alguns dias eu olho pros dois e não me conformo com seus jeitos tão opostos.

Este final de semana levamos as crianças ao cinema. Foi a primeira vez que fomos os quatro juntos. Ana já havia ido duas vezes e era a primeira vez do Lucas. Fomos todos juntos pelo programa e também para um de nós poder sair com o Lucas caso ele não gostasse da ideia de cinema e quisesse sair no meio do filme.

Tudo começou muito bem. Lucas comendo sua pipoca (que ele ama), prestando atenção. Quase no final do filme ele começa a dar piti. Resolvi sair com ele. Saímos da sala ele pede pra voltar. Eu explico que não podemos ficar entrando e saindo, que atrapalha as pessoas e que poderíamos até voltar, mas que não sairíamos de novo. Combinado? Combinado.

Ele assistiu o filme até o final mesmo, e assim que os créditos começaram ele quis sair da sala. Eu fiquei enrolando com a Ana (eu sou daquelas que vê os créditos até o final).

Chego lá fora e Fernando me diz:
-Sabe qual foi a primeira coisa que o Lucas me disse assim que saímos?
E eu, claro, respondo que nem imagino.
- Não quero voltar aqui nunca mais.

Isso é TÃO a cara do Lucas que eu nem consigo explicar.
O Lucas sempre teve estas pendengas com novidades. SEMPRE.

Quando nos mudamos pra Sorocaba, em 2010, Lucas chorou estridentemente as duas primeiras noites, ao ponto da vizinha do andar de cima interfonar lá em casa oferecendo o telefone de um pediatra (já que a gente era novo na cidade) pra gente ver se estava tudo bem com o menino. Pensem no nível de decibéis noturnos...

Recentemente estivemos num hotel fazendo aqui perto de BH. Depois de umas duas horas lá o Lucas já queria voltar pra casa. Recentemente ele me pediu pra voltar pra lá e eu disse: "Pra quê? Pra você querer voltar pra casa assim que a gente chegar?" E ele me responde, na maior naturalidade: "É mãe, pensando bem, melhor ficar aqui em casa mesmo"

Tudo isso é pra ilustrar que as mudanças são muito difíceis pro Lucas. Todas as transições dele foram difíceis. A única exceção, salvo engano (e se o Fê lembrar depois eu posto aqui) foi largar a chupeta.

Daí que estes dias lá fui eu pesquisar sobre o sono das crianças de 4 anos. O Lucas não dorme. Dorme mal. Em algumas noites chega a se levantar 6 vezes e ir lá pra nossa cama, sem motivo aparente. Algumas vezes reclama de medo, em outras a gente percebe que o nariz está entupido, mas na maioria ele simplesmente acorda, levanta e vai chamar o Fernando que o coloca de volta. Ele dorme imediatamente e o ciclo se repete. 

Eu acreditava sinceramente que aos 4 anos de idade as crianças já dormissem a noite inteira. Ledo engano. E a comparação com a Ana é quase inevitável e o nosso questionamento idem:
- Será que a gente está fazendo alguma coisa errada?
- Será que a gente não está fazendo alguma coisa que deveria fazer?
- Será que a gente é muito mole com ele e deveria ser mais rígido?

Encontrei recentemente (na verdade eu me lembrei de) um artigo sobre crianças high need. A teoria deste médico, o Dr. Sears, é de que algumas crianças simplesmente não se ajustam a nenhum "método" ou rotina, elas funcionam de um jeito diferente e mesmo que vocês seja um pai ou mãe experiente nada do que você faça vai ser muito eficiente com esta criança.

Rotular uma criança de qualquer coisa pode, em muitos casos, ser só uma desculpa pra se eximir de responsabilidade. Hoje em dia tudo tem nome e rótulo, e muitos pais se escondem na "doença" dos filhos pra justificar o injustificável e eu vejo isso muitas vezes como professora. Às vezes pode ser simplesmente um alívio descobrir que seu filho tem alguma coisa contra a qual você de fato pouco pode fazer e aceitar também é uma parte difícil do processo.

Confesso que muitas vezes é difícil pra mim aceitar que o Lucas não dorme bem como a irmã, especialmente porque eu estou exausta de tanto dormir mal. Enquanto eu tenho que brigar pra tirar a Ana da cama, o Lucas acorda cedo e não me me deixa dormir.

Os high need (de novo, segundo o Dr. Sears) tem as seguintes características: choro intenso, drenadores (nada satisfaz, precisam de atenção o tempo todo), mamam frequentemente (era assim quando bebê e até hoje o leite tem lugar cativo na alimentação dele), não gostam de esperar (FATO), acorda frequentemente. Vocês podem ler mais aqui.

O que eu posso dizer é que aqui quase nada funciona e o que funciona para de funcionar em pouco tempo, sem aviso e sem explicação.
Seguimos tentando.

Eu só quero dormir direito em definitivo. Será que estou pedindo demais?


Meu livro! =)
 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Eu, a eterna questionadora...

Minha saga com este blog continua.
É muito mimimi gente...

Depois de eras sem postar, a sequência de escrever um post é geralmente bem parecida:

- vem e começa
- para no meio questionando se aquilo é importante
- deixa a postagem pra lá
- volta outro dia e decide que não quer mais escrever sobre o que estava escrevendo antes
- começa outro post e reza pra começar e terminar, do contrário a sequência se repete infinitamente...

Ando com mais pés atrás na hora de escrever os posts: na era do politicamente correto, falar qualquer coisa que desafie o suposto senso comum é certeza de encrenca. E eu ando com MUITA preguiça de encrenca.

Mas ao mesmo tempo, eu também ando com MUITA preguiça de ouvir sempre o mesmo blá blá blá. 

Acho que a gente desaprendeu a fazer quase tudo. E a gente desaprendeu, principalmente, a confiar nos nossos instintos. 

Participo de diversas comunidades virtuais. É muito tempo de internet gente, vocês não tem noção. E nessas comunidades a gente vê escancarado o medo das mães de tomarem decisões simples sobre suas famílias e o bem estar de seus filhos. Não me entendam mal, eu adoro as comunidades (quando eu não gosto eu saio logo) e procuro responder quando posso. Eu sou das que raramente pergunta. E eu acho MUITO válido que a gente tenha outras mulheres e mães pra conversar, porque a maternidade e o cuidado dos filhos são algo essencialmente feminino (o que não exclui nem diminui de maneira nenhuma a importância dos pais neste processo - mas é assunto pra outro post), mas eu fico vendo os questionamentos e me perguntando: porque esta mãe não sente confiança pra tomar esta decisão e precisa pedir a opinião (que na verdade é praticamente um aval) pra fazer isso? 

E eu acho que é porque hoje, a gente precisa agradar. Precisa agradar à mãe, à sogra, às amigas, às vizinhas, às mães dos coleguinhas na escola. A gente precisa estar fazendo tudo certo, igualzinho todo mundo, do contrário a gente se sente um peixe fora d'água. Só que de tanto agradar a todo mundo, a gente quase sempre deixa de agradar a si mesma, e aí minha gente, não tem nada que dê jeito. O que não falta hoje é manual. Listas de coisas pra fazer, pra ter, pra não fazer, pra não dizer.

Fico me perguntando se na época da minha mãe e das minhas avós (e se tiver alguma mamãe mais velha/vovó me lendo, eu adoraria que vcs comentassem!) elas se questionavam tanto.

Tudo isso é pra dizer que eu me questiono. O tempo todo. Todo santo dia. 
Será que eu passo tempo suficiente com eles? Será que eu estou sendo capaz de dar uma boa educação? Será que eles vão me odiar? Será que eu vou prejudicá-los de alguma forma? 

E cansa, COMO cansa. Nestas horas eu tenho saudade de quando a minha única preocupação era decidir onde íamos sair pra jantar! kkkkkkk

Não se iludam: eu SEMPRE quis ser adulta. Nunca gostei de ser criança. Se tem uma coisa de que eu me lembro da minha infância é de como eu queria crescer rápido e ser adulta para tomar minhas próprias decisões. Mas que este negócio de crescer cansa, isso cansa.

Vou levando, esperando que os questionamentos se cansem de questionar, porque, de verdade, não vou saber responder estas perguntas aí não. Pelo menos não agora. E perfeccionista do jeito que eu sou, nada nunca vai estar bom o suficiente.

O meu primeiro chefe tinha uma teoria interessante que dizia que todas as pessoas passam por crises todos os anos. Eu tinha 15 anos quando trabalhava lá, uma locadora de vídeo do outro lado da rua onde morava, e ele tinha paciência pra aturar meus dilemas "importantíssimos" de adolescente. Sempre me lembro disso quando me encontro vivendo crises; continuo numa delas.

Esta semana que passou uma amiga do trabalho me perguntou se eu durmo só 4 horas por noite, porque ela acha que eu e ela fazemos as mesmas coisas, só que ela não tem dois filhos pra cuidar.

Felizmente eu durmo BEM mais do que 4 horas ou à esta altura já teria me separado do Fê que não ia ter saco pra aguentar todo dia o mau humor que existe em mim depois de uma noite mal dormida (aliás, vi no facebook estes dias que um estudo da universidade Duke nos Estados Unidos prova que mulheres precisam dormir mais por uma questão hormonal - sempre eles...). 

O que eu respondi pra ela, e o que eu acredito, é que quanto mais tempo livre a gente tem, ou seja, quanto menos atividades fixas que a gente precisa realizar, mais a gente procrastina / adia / empurra com a barriga, coisas que poderia fazer agora.
Não tô dizendo que a gente deve abandonar o ócio, tem um tiozinho que vendeu muito livro sobre o "ócio criativo" há alguns anos e eu acho que uma horinha no Pinterest ou no facebook são uma terapia...

Mas eu sinto que tenho ocupado tempo demais com coisas não importantes/produtivas e deixado de lado coisas que poderiam agregar mais valor pra mim, pra minha vida, e por consequência pra minha família.

Mas aí, eu preciso me policiar. Porque se deixar só por minha conta, eu acho que posso abraçar o mundo e saio enchendo a minha agenda de coisas que não vou dar conta de fazer. Porque eu preciso provar pra mim o tempo todo que eu consigo. Que eu dou conta. 

Eu fui criada pra vencer, crescer, produzir, ser independente. É o lema da sociedade de hoje. Só que a maternidade, embora seja uma tarefa hercúlea (adoro esta palavra!) e gratificante, também é sacrificante e praticamente invisível. Quantas vezes a gente fala/ouve: mas você não trabalha, só cuida da casa? Triste. E eu ainda ouço em dobro "Teacher, você faz alguma outra coisa ou só dá aula?" Brinco que são duas ocupações invisíveis e sem reconhecimento. Tem dias que cansa fazer trabalho de formiguinha (porque é isso que é ser mãe e professora - um pouquinho a cada dia, pra colher os frutos láááááá na frente)

Fato é: abri mão de muitas coisas para me dedicar à maternidade. Muita gente vai argumentar que ser mãe é isso mesmo, é padecer no paraíso, blá blá blá whiskas sachet. Mas a verdade é que quem é mãe hoje sabe muito bem do que eu estou falando. Porque por mais que vendam que a gente pode ser a mulher de NOVA (linda, gostosa, independente, doida por sexo, mãe, profissional, esposa, dona de casa, rata de academia, ufa!) a verdade é que NÃO DÁ. E quando a ficha cai e eu percebo que não vai ter jeito, que eu vou precisar abrir mão de algumas coisas, dói. Dói porque me prometeram tudo. O mundo AINDA promete tudo. E a gente se pergunta se é só a gente que não está dando conta, ou se todo mundo ao redor está mentindo.

Sim, estou tendo um momento rebeldia de adolescente que não quer aceitar que o mundo não é cor de rosa. É um momento, vai passar, e eu vou voltar à programação normal porque eu fiz uma escolha e não me arrependo dela. Mas às vezes, só às vezes, dói.

As crianças estão numa fase mais gostosa, de menos trabalho braçal.

Ana Clara está na fase de aprender a ter autonomia com o dever de casa. O primeiro semestre foi bem duro, mas agora ela mesma já lê o que tem que fazer, faz as páginas e me chama em caso de dúvidas. Espero que ela continue assim porque a demanda de dever só vai aumentar (eu não me lembro de ter tanto dever quanto estes meninos tem) e daqui a pouco eu tenho o Lucas pra ensinar. Ela já tem ares de mocinha, faz umas colocações que só quem conversa com ela sabe. Às vezes olho pra ela e me espanto com quanto ela cresceu.

O Lucas é o oposto. Ele continua nos dando trabalho pra dormir, mas melhorou depois que descobrimos uma adenoide e começamos a medicar. Ele é mais bebezão, é um drama pra tudo e ao contrário da Ana, que é bem política, ele quer ganhar as coisas no grito. Hoje ele estava particularmente atacado e a minha paciência particularmente baixa. Não é uma boa combinação. Ele testa muito os limites, o que requer uma dose extra de paciência por dois motivos: ele é o segundo filho e a gente já está mais de saco cheio de disciplinar; e a gente tende a compará-lo com a Ana Clara, o que é injusto e sem cabimento, mas quase inevitável. Acho que a gente tem uma tendência de tratar o filho mais novo por mais tempo como bebê, mas tento me policiar quanto à isso, especialmente porque o Lucas SEMPRE foi um bebezão. Acho que o fato de ser menino também tem à ver com isso, mas olha, só Jesus na causa. Lucas é geminiano sem sombra de dúvida. Acho que DUAL é a palavra que melhor o define. Ao mesmo tempo em que é carinhoso, cheio de chamego, atencioso ele é teimoso, encrenqueiro, questionador.

Mas a gente se vira.

Eu continuo na luta das aulas, este semestre são só adolescentes. Turmas com 15 e 16 alunos, pra vocês terem noção. Vai ser divertido! (Espero!)
Continuo tentando manter a página do livro no facebook atualizada, mas é difícil.
Estou fazendo um curso virtual sobre Psicologia Social. 
Quero traduzir o meu livro para o inglês.
Estou tentando voltar a fazer exercício físico e a dieta, já que a viagem pra SP e as gordices publicadas no facebook me renderam dois quilos a mais na balança.

E esta é minha nada mole vida, mas tenho certeza de que a de vocês segue no mesmo script.
Vamos que vamos!

Meu livro! =)
 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Perdão

Esta palavra tem aparecido de forma recorrente nas últimas semanas. Não acredito que nada aconteça por acaso, sempre acreditei em algo mais que faz com que as coisas certas cheguem pra nós no momento certo.



Hoje no facebook minha prima postou esta imagem, que coloco pra vocês:




Acho que perdão é tão difícil de pedir quanto de dar.
Talvez pedir perdão seja um pouco mais fácil, porque na prática você pode fazer isso só da boca pra fora, não estar nem aí se a pessoa te perdoou ou não.
Mas perdoar, de verdade, é uma jornada emocional das mais duras. Porque não dá pra perdoar da boca pra fora. Você pode até dizer que perdoou, mas a verdade a gente conhece lá no fundo, aquele rancor comendo a gente por dentro.

Também me lembrei de uma frase que diz que "é mais fácil perdoar a um inimigo do que a um amigo". Faz todo o sentido. Um inimigo ou um desconhecido são pessoas com as quais não temos nenhum relacionamento, não fazem parte da nossa vida. Já um amigo ou alguém próximo geralmente é alguém que amamos. É muito difícil perdoar alguém quando não podemos nem admitir que esta pessoa pudesse nos causar algum mal.

"As pessoas, em geral, prefiririam morrer a perdoar. É difícil assim. Se Deus dissesse, em bom português, "Estou dando à vocês uma escolha, perdoar ou morrer", muita gente iria em frente e encomendaria seu próprio caixão." Trecho de "A vida secreta das abelhas" de Sue Monk Kidd

Mas as pessoas não são perfeitas.
Nenhum de nós é. 
E fiquei me pergutando estes dias se tenho o direito de exigir perfeição de alguém quando eu mesma tenho tantas coisas em mim que sei que não são boas.
E fiquei pensando que qualquer dia destes talvez eu precise que alguém me perdoe. Tenho certeza que desejarei um dia que meus filhos me perdoem pela mãe imperfeita que sou. Pelas coisas que eles desejariam que eu tivesse feito e que não fiz, porque estava além de mim. 

Não perdoar significa carregar um mar de amargura com a gente. Talvez a pessoa que nos fez mal nem saiba que a gente carrega isso com a gente. Talvez ela já tenha seguido em frente. Talvez ela mesma esteja se consumindo em um mar de culpa. Não podemos cuidar do outro sem antes cuidar de nós mesmos. Sempre lembro da minha psicológa falando daquele aviso do avião, sabem? "Em caso de despressurização da cabine - blá blá blá - coloque primeiro a máscara em você pra depois colocar no seu acompanhante." Algo assim. Não dá pra ajudarmos ninguém se nós mesmos não estivermos bem. De tanto dar, sem receber, nos esgotamos. 

E aí me lembrei de um outro livro: A Cabana, de William P. Young. Vocês já me conhecem, eu não sou exatamente uma pessoa religiosa, então muita coisa do livro eu desconsiderei em nome da mensagem que é linda. É um livro extremamente difícil de ler, especialmente para quem já perdeu um filho como eu. Mas voltemos.

O livro tem uns trechos muito lindos sobre o perdão, que transcrevo aqui. Se você não leu o livro e quer ler, talvez seja uma boa ideia pular até as estrelinhas lá embaixo! ;-)
O diálogo é entre Deus (Papai) e o personagem principal do livro (Mack):

"Perdoar não significa esquecer, Mack. Significa soltar a garganta da outra pessoa.
(...)
O perdão existe em primeiro lugar para aquele que perdoa, para liberá-lo de algo que vai destruí-lo, que vai acabar com sua alegria e capacidade de amar integral e abertamente. (...) Ao fazê-lo, irá libertar o homem de um fardo que ele carrega, ele saiba ou não, quer reconheça ou não. 
(...)
O perdão não exige de modo algum que você confie naquele a quem perdoou. Mas, caso essa pessoa finalmente confesse e se arrependa, você descobrirá em seu coração um milagre que irá lhe permitir estender a mão e começar a construir uma ponte de reconciliação entre os dois.
(...)
Papai, acho que entendo o que você está dizendo. Mas parece que, se eu perdoar este sujeito, ele vai ficar livre. Como posso desculpá-lo pelo que fez? 
(...)
Mackenzie, o perdão não desculpa nada.
(...)
Então, tudo bem se eu ainda sentir raiva?
(...)
Sem dúvida! O que ele fez (...) é errado e a raiva é a resposta certa para algo tão errado. Mas não deixe que a raiva, a dor e a perda que você sente o impeçam de perdoar e tirar as mãos do pescoço dele."

*******************************************
A situação do livro é bem extrema, eu fico me perguntando se eu conseguiria perdoar. 
Mas talvez, se o perdão for isso mesmo - tirar as mãos do pescoço da outra pessoa e não esquecer - talvez a gente seja capaz de perdoar e seguir em frente, de reconciliar e ver o lado bom das pessoas e de ser feliz de novo.

Boa semana pra vocês. Cheia de perdão e reconciliação.

P.S. - Fernando me fez por este aviso aqui: Ele não fez nada errado, viu? kkkkk

 

domingo, 12 de maio de 2013

Feliz Dia das Mães!

Não tem muito tempo, uns dois meses talvez, uma das perguntas que eu mais temia chegou.

Não era sobre como os bebês vão parar na barriga das mães, nem sobre a violência sem sentido, nem sobre a morte.
Como quem não quer nada ela me pergunta:

"Mãe, se meus irmãos não tivessem morrido, você teria tido a gente?"

O que responder? Como dizer do que nem eu mesma sei?

Há sete anos passei o pior dia das mães da minha vida. Naquele maio de 2006 tudo o que eu queria era desaparecer. Ao invés de ter três bebês comigo, uma casa enlouquecida de bagunça e de choro de criança, eu tinha um quarto vazio e braços vazios.
Tinha acabdo de fazer uma nova fertilização e o resultado tinha sido negativo.

Hoje, em 2013, passo por mais um dia das mães. Meus dois filhos amados ao meu lado.
Não existe resposta para a pergunta que ela me fez. Nunca vai exisitir. Assim como não há respostas pra tantas perguntas que fiz desde que tudo aconteceu. Porque esta é a minha história. E se ela me trouxe tanta tristeza, me trouxe também dois tesouros sem os quais não consigo imaginar a vida. 

Não dá pra imaginar uma história diferente. E esta história me faz feliz, me basta.

Desejo um feliz dia pra todas as mães foram, que são e que serão.
Criar e educar um filho é, muitas vezes, um trabalho invisível. Às vezes frustrante, repetitivo e cansativo. Mas é sempre uma dádiva.  

Tenho amigas para quem a jornada foi dura demais, que optaram por outros caminhos de realização. À vocês, também, um feliz dia das mães. Porque são mães no coração. E porque só nós sabemos quão duro podem ser os caminhos.

Muita luz.




Meu livro! =)
 

domingo, 21 de abril de 2013

Uma em um milhão

Andei muito frustrada. Além da conta e por motivos que estão alheios ao meu controle. Mas andava difícil de controlar. 


Já faz tempo que não assisto nenhum telejornal. Também raramente leio notícias na internet.Podem me chamar de alienada, mas me faz mal. Aí eis que resolvo ler as notícias da semana.



Entre estupros, menino que perde dedos na escada rolante, uma mãe que perdeu o filho assassinado já tive a minha cota. Mas tem os comentários. Não sei porque continuo lendo. O que segue é um show de horrores e valores deturpados.



O povo julgando os pais do garoto da escada rolante por negligência, como se ele estivesse sozinho na escada. Os relatos dizem que ele tropeçou e caiu e os dedos ficaram presos. Não estava lá, não vi o que aconteceu. Mas quem é pai e mãe SABE que em SEGUNDOS a m**** acontece, mesmo com o pai e mãe mais vigilantes e atentos do mundo.



No caso da mãe que deixava o filho de 6 anos pra trabalhar a coisa foi ainda pior. Tudo bem, eu concordo que deixar uma criança de 6 anos sozinha em casa é uma temeridade. Mas daí a CULPÁ-LA pela morte do filho? Inverter os papéis? Dizer que ela pediu pra que isso acontecesse e que deveria ter fechado as pernas pra não colocar filho no mundo??? Façam-me o favor. 

Quantas mães, quantas anônimas como ela, sem marido, tendo que trabalhar o dia inteiro pra por comida em casa e sem acesso à creche, sem opção, precisam deixar os filhos sozinhos em casa? Por que o povo vive numa bolha e acha que tudo funciona neste país?


Eu sinto nojo de alguns comentários, vergonha alheia de outros, e uma profunda tristeza. De verdade gente, isso dá um nó no meu estômago e faz com que eu me sinta MUITO mal. É uma sensação física mesmo. Me incomoda profundamente, me faz pensar que este mundo não tem mesmo jeito e que é melhor deixar tudo pra lá.



Não sei o que fazer, me incomoda demais o meu ativismo de rede social: muito fácil falar e falar e falar no facebook e aqui. O que de fato estou fazendo pra melhorar as coisas?

Fernando diz que talvez eu queira demais, que talvez eu precise começar apenas mudando meu pequeno mundo, minha família. Mas "só" isso me incomoda. Queria fazer mais.


Muitas vezes eu me sinto uma em um milhão. Sei que não estou sozinha. Sei que tem gente batalhando por um mundo melhor. E sei que é muito mais fácil me acomodar e fazer de conta que não vejo nada do que está acontecendo, mas eu simplesmente não consigo.



Aí no meu deste turbilhão, chega esta mensagem no meu facebook:






Pensem se o timing não é perfeito?

E eis que estou no meio deste processo. São quase 6 anos de terapia e quando eu acho que já mexi em todas as gavetas aparece alguma coisa nova pra eu organizar. Não é nem um pouco fácil, meu corpo reclama, meu estômago embrulha, tenho vontade de não aparecer na sessão. Mas vou.

E aos poucos, tento retomar o foco pras coisas positivas da vida. Sei que tem muita coisa que não me agrada, que eu gostaria de mudar, que me incomoda. Muitas destas coisas, infelizmente, vou ter que aceitar que não verei mudar. Quem sabe meus filhos. Ou meus netos. 

Para as outras trabalho um pouquinho a cada dia. Dando passagem pro pedestre, forçando meus alunos a trablhar mais e melhor e a aprenderem e respeitarem normas de convivência básicas (vocês ficariam admirados com as coisas que às vezes presencio), ligando pra uma mãe pra elogiar o filho dela (já tive mãe chorando do outro lado da linha dizendo que aquela tinha sido a única notícia boa da semana), elogiando o aluno pelo progresso alcançado. 

Mudar o foco tem me permitido aproveitar e enxergar melhor alguns momentos da minha vida diária. Ana Clara me ajudando a fazer sopa. Lucas penteando meu cabelo. Os dois brincando. Faz tempo que não vejo o Fê fazer a barba. Sempre gostei!

Ultimamente tenho me incomodado demais com a sensação de que a vida está passando batida por mim. Entre trabalho, academia, leva e traz de crianças, sinto que sobra pouco tempo pras coisas que me dão prazer ou que realmente fazem diferença na minha vida ou na vida da minha família.

Mas acho que já divaguei demais.

Pras coisas práticas:

- Ana está bem na escola. Reclama do dever de casa e neste ponto não tem nada de meu: enrola demais, não é caprichosa. Tenho que ficar em cima.
- Lucas também vai bem na escola, mas continua me dando trabalho com a alimentação. Ele vai fazer exames de sangue pra ver a quantas anda. Me preocupo com ele e não sei mais o que fazer. Deixar o menino sem comer NÃO é uma opção: ele vive muito bem tomando leite e só leite de manhã e à noite. Não tenho esta disposicção pra briga e nem acho que é este o caminho, não quero que ele pare de comer o pouco que come e não quero que perceba que tem poder de barganha com a alimentação. Nestas horas aprendi, como os mineiros, a comer pelas beiradas. Aos poucos, espero, as coisas se ajeitam.

No mais, a correria de sempre. 
Espero que vcs estejam bem.

Hoje completo 12 anos de casada. Como voaram! Muito feliz e realizada. 
Beijos e boa semana!


Meu livro! =)
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

2013 e Londres!


Eu estudo inglês desde os 9 anos de idade. Foi amor instantâneo. Sempre achei mágica a habilidade de conseguir falar a mesma coisa em linguas diferentes. Pra mim é fácil, sem esforço e extremamente recompensador. Sei que não é pra todos, assim como matemática é o fim do mundo pra mim...
Comecei a dar aulas com 15 anos. Era uma escola pequena, em Joinville. Foi uma porta que se abriu. Só anos mais tarde comecei a correr atrás de especializações na área, diplomas de proficiência e afins.
Só que em todos este anos eu NUNCA havia pisado na Inglaterra. Estive na Europa uma vez há dez anos, com o Fê, mas não passamos por lá.

Estar na Inglaterra e especialmente em Londres não é só um sonho de turismo, é o sonho de uma vida. Todos os dias eu tenho que falar com os meus alunos sobre a Inglaterra. Sobre Covent Garden, ou a Tower Bridge ou a London Eye. Sempre fiz meu dever de casa e li sobre os lugares, mas ter estado lá, ter fotos pra compartilhar, dá outra dimensão aos relatos. É emocionante!

Posso dizer que Londres é tudo aquilo que falam e muito mais. E eu vou precisar voltar lá um dia, com muito tempo, pra passar por todos os lugares novamente mais a fundo...

De cara, algumas impressões:
- ninguém está nem aí pra moda. Cada um se veste como bem entende. Cabelos de cores e cortes diversos, tênis branco com meia calça preta, qualquer coisa. E tudo bem, porque ninguém vai te tratar mal pelo que você veste. 
- os europeus são magros. As poucas pessoas acima do peso que vi lá eram turistas.
- é quase impossível saber quem é morador de lá. É tanta gente de fora que vive lá, tanto turista na rua, que simplesmente não dá pra ter certeza. Sempre pedíamos informações nos hotéis ou lojas, porque a chance maior é você perguntar pra outro turista que também não sabe te informar.
- Londres é uma torre de babel. Infinitos idiomas, pessoas com as mais diferentes aparências. Bacana demais!
- O metrô é extremamente eficiente e todo mundo usa. Turistas cheios de malas, pais e mães com carrinhos de bebê, povo indo pra balada. Uma noite havia um casal vestido super chique - moça de vestido de paetê e salto mega alto, moço de terno - esperando o metrô, supostamente indo pra uma festa. No início é um pouco confuso. Como em todos os metrôs, diversas linhas se cruzam pelas estações. Em muitos casos é como em SP: pra pegar outra linha você precisa trocar de plataforma. Mas em outros casos, duas linhas diferentes passam pela mesma plataforma. Você precisa prestar atenção pra saber qual é a linha e o destino do próximo trem ( às vezes a mesma linha tem dois ou três destinos diferentes). Claro que eu descobri isso quando fiz a primeira  baldeação errada, né? Outra coisa, prepare-se para descer e subir MUITA escada. Poucas estações tem escada rolante. Na escada rolante, como em SP, se quiser ficar parado fique na direita. A esquerda é para pessoas que querem ir subindo. Em algumas estações é pra ficar à esquerda, tem placas avisando.
- A frase  mais famosa do metrô é "mind the gap", que é repetida milhões de vezes. Isso porque entre o trem e a plataforma sempre tem um vão. Às vezes um desnível. Pra ninguém se machucar eles anunciam milhões de vezes: mind the gap between the train and the station (preste atenção no vão entre o trem e a estação).

- existe uma preocupação constante e perceptível com atentados. No metrô existem avisos para que qualquer comportamento suspeito seja informado, para que ninguém deixe bolsas sozinhas porque qualquer objeto não identificado pode causar a parada completa das linhas. Na London Eye ( a roda gigante ) entre o desembarque e o próximo embarque uma equipe de seguranças entra e olha tudo, usando inclusive espelhos embaixo do banco para checar se ninguém deixou nada ali.
- a Europa é muito rica culturalmente, eu já tinha me esquecido. Se você puder, programe-se pra passar muitos dias num só lugar. A riqueza histórica e cultural está mastigadinha em pôsteres, audio guides (guias de áudio) e visitas guiadas que às vezes são gratuitas. É fácil passar um dia inteiro num museu ouvindo todas as histórias. Os guias de áudio você consegue em Português, panfletos idem... Mas visitas guiadas só em inglês. Vamos estudar, pessoal!
- em Londres, preste atenção especial ao trânsito, cuja mão de direção é invertida. Há inclusive avisos no chão nas faixas de pedestres dizendo pra que lado olhar. Se ficar confuso (eu achei bem confuso!) olhe para os dois lados.


- As crianças estão por toda a parte e sabem se comportar. Desde bebês os pais ( de diversas nacionalidades) carregam os pequenos pra cima e pra baixo, não importa a temperatura. Todos tem roupas térmicas e estão nos carrinhos (cheguei a ver um recém nascido numa loja de brinquedos) pra lá e pra cá. Na torre de Londres tinha um pai com dois filhos pequenos (aparentavam a idade da Ana e do Lucas) lendo um livrinho sobre a história da torre enquanto eles almoçavam. Surreal. Como fazem isto desde pequenos, se comportam bem. E em todos os dias que estive lá vi só uma criança dando piti. Deveríamos copiar isso.
- tive uma excelente impressão dos ingleses e dos imigrantes que lá trabalham. Sempre fui bem atendida. Please, thank you e lovely são repetidos à exaustão. Nem pense em perguntar nada sem antes usar um "excuse me, could you please..."
- a segurança é algo palpável. Claro que existe violência, mas se você não der bobeira é pouco provável que tenha problemas. 
- no inverno escurece muito cedo. Às 4:30 da tarde já está escuro como se fossem 10 da noite no Brasil. É esquisito e interessante. Nosso corpo estranha e frequentemente a gente acha que já está na hora de dormir quando são na verdade só 5:30 da tarde.

Nesta foto eram 5:30 da tarde!

- vá preparado para a imigração. Isto inclui levar informações sobre estadia, data de entrada e saída e tudo o mais. Até dinheiro em espécie eles podem exigir e eles podem te mandar embora sem maiores explicações. Eu não tive problemas, mas uma amiga que chegou no mesmo dia que eu pra fazer exatamente o mesmo que eu quase foi mandada de volta. Eles pediram TODA a documentação que ela levou. Dinheiro vivo inclusive.
- morar numa casa de família por 15 dias foi muito legal. Poder conversar e viver um outro estilo de vida pode ser muito interessante. Comi algumas comidas típicas, jantava todo dia às 6, tinha que tirar os sapatos todos os dias antes de entrar em casa, enfim, muito diferente.

Tive a chance de visitar outras cidades, inclusive Tintagel que era um sonho meu. Pra quem não sabe, Tintagel é conhecida por ser supostamente o local onde nasceu o Rei Arthur.  Não existe nenhum respaldo histórico pra isso, mas quem se importa? ;-) Poder estar pessoalmente lá e ver o local tantas vezes descrito em As Brumas de Avalon (leitura recomendadíssima!) foi impagável!

Já sinto saudades. Do frio, dos monumentos históricos, dos locais modernos, de usar inglês diariamente, da segurança, da facilidade de locomoção. Tenho plena consciência de que não existe lugar perfeito, mas eu moraria em Londres feliz da vida. 

Sei que a pergunta que todo mundo quer fazer é sobre meus filhos e se eu e eles ficamos bem.
Foi tudo MUITO tranquilo.
Eu tive uma crise de choro quando finalmente me sentei no meu hotel à noite depois de intermináveis 12 horas de vôo - mais longas que o normal por conta do meu medo de avião - mais imigração, mais metrô, mais falar com o Fê e as crianças pelo skype... aliás, recomendo demais pra quem fala inglês e tem medo de avião o site http://www.fearofflying.com/ O site oferece cursos pra quem tem medo de avião (pagos, claro) mas fornece muita ajuda pra quem, como eu, tem medo pra caramba mas ainda consegue encarar um voo. Usei algumas das técnicas durante a minha viagem e recomendo. (Que tal estudar inglês pessoal? Eu recomendo também ;-) )
Mas depois disso, eu aproveitei. Eu nunca tinha ficado longe das crianças, então foi uma experiência completamente diferente pra nós. Eu aproveitei sim a chance de poder viver 20 dias sem o batidão do dia a dia. Poder dormir, acordar, comer, tomar banho no me ritmo, sem interrupções, na hora que eu queria. Fiquei tranquila pois eles estavam com o Fê e com a minha sogra, pessoas nas quais confio plenamente.
Senti saudades, pensei neles em cada loja de brinquedos que entrei, pensei no Fê em cada monumento que visitei. 
O Lucas não quis mais falar comigo pelo skype depois de alguns dias. Eu já sabia que isso podia acontecer então levei numa boa. As crianças fazem isso pra mostrar que estão brabas. É normal, esperado e passa. Forçar a conversar é pior.
Ana encarou melhor, conversava comigo diariamente, me perguntava se tinha nevado. 
Senti medo todos os dias de morrer durante a viagem e nunca mais vê-los ou abraçá-los. Eu sei que eu sou neurótica, mas talvez outras mães compartilhem do meu drama...

Enfim,  2013 chegou.
Viajei pra Londres. Lancei meu livro. Só por isso já pode entrar fácil na lista dos melhores anos (todos ímpares, aliás: 2001, 2005, 2007, 2009...)

Aliás, sobre o livro.
Eu venho falando deste projeto aqui no blog já tem um tempo, sem nunca especificar muita coisa. Algumas pessoas foram "pescando" no meio do caminho. Foi muito difícil começar a escrever, não sabia direito por onde começar. Depois que eu comecei, em 2010, ele fluiu fácil. Até o nome veio fácil. Difícil foi mostrar pro Fê, decidir publicar, correr atrás de tudo. Mas finalmente ele saiu! É uma alegria e um orgulho. Quem acompanha o blog conhece a história. O livro é a versão com detalhes. Nem sempre fui capaz de colocar tudo no blog, por diversos motivos. Cheguei a fechar o blog, deixá-lo privado por uns tempos, porque estava no meio de um processo difícil e com muita dificuldade de lidar com o julgamento dos outros. Preferi me poupar. Muitas de vocês com certeza vão se lembrar. Hoje o julgamento não me importa muito, já consigo encarar muito melhor os perrengues que passei e as escolhas que fiz. Escrevi o livro pra que outras pessoas saibam que é possível viver e seguir em frente mesmo quando as coisas não saem nem um pouco como planejadas. Vocês que me acompanham sabem disso. Mas tem muita gente precisando de ajuda.

O blog está bem parado, eu sei. Já até cogitei substituí-lo por uma página no facebook, mas tem algo de sentimental aqui. Estou pensando.

Espero que 2013 seja um ano excepcional pra todo nós. Agora que o carnaval acabou e as coisas começam a andar pra mim (cheguei dia 20 de janeiro, emendei com duas semanas quase sem empregada, mais o início das aulas meus e das crianças, na escola nova), espero conseguir me organizar. Sinto que perco muito tempo fazendo coisas que não agregam e sinto que poderia usar melhor meu tempo, sendo mais produtiva. Minha meta pra 2013 é conseguir me organizar melhor e sofrer menos com a "falta de tempo".

A meta de 2012 que era gentileza, eu cumpri. Seguirei cultivando!
Beijos mil!