Semestre novo, vida nova!
Quando as aulas começam é sempre um tumulto. Novas turmas, novos níveis, novas carinhas. E a gente começa, a cada semestre, quase tudo do zero.
Este semestre eu tenho UMA turma que já dei antes e que conheço o conteúdo. As demais são novidade.
E mesmo assim, cada turma é um universo. É sempre uma combinação nova de idades, gostos, formações, desejos. E a gente vai descobrindo juntos como melhorar a convivência e facilitar o aprendizado.
Pode ser bem frustrante às vezes. E muito divertido também!
Tenho muitas turmas de pré adolescentes e adolescentes este semestre. E são turmas grandes. Tem muito potencial e pode ser um sucesso ou um fracasso. Adolescentes são caixinhas de surpresas, bem mais do que as crianças que costumam gostar de tudo o que fazemos. Vamos que vamos.
Ana Clara está ótima! Toda feliz com a professora nova e o retorno às aulas de balé! Daqui menos de um mês ela completa 5 anos. Às vezes olho pra ela e não sei como cresceu tanto. Vejo as fotos dela bebezinha, ou o vídeo da retrospectiva dela aí ao lado e me surpreendo. Ela é muito independente e "conversada" como se diz por aqui: quando ela quer ela corre atrás, resolve ou então, infelizmente, não para de torrar a paciência. Se deixar, ela vence pelo cansaço. Rolam uns castigos básicos toda vez que descumpre os combinados, mas me orgulho de ver como ela se comporta bem na casa dos outros e obedece as regras 99% das vezes.
O Lucas está dando muito trabalho com o sono. Eles são diferentes, claro, mas neste ponto ele é o extremo oposto da Ana.
Enquanto Ana começou a dormir a noite toda com 7 meses, ele só com 2 anos.
Enquanto a Ana pouco depois já dormia até umas 7 horas da manhã, ele continua acordando por volta das 5:30 da manhã.
Nós já tentamos de tudo: cortar a soneca do dia, deixar dormir o quanto quiser de dia, limitar a soneca do dia. Colocar pra dormir mais cedo, colocar pra dormir mais tarde.
Todas as combinações possíveis de todos estes fatores.
Nada resolve.
Cada dia é de um jeito e eu ainda não consegui entender como é que a banda toca. Infelizmente isto gera muito stress e cansaço por aqui. Mais pro Fernando porque o Lucas solicita demais o pai (e eu tenho uma teoria de que o Lucas acorda cedo mesmo com sono justamente para poder passar mais tempo com o pai.)
O ideal seria eu ir dormir bem mais cedo pra conseguir ter o mínimo de sono que preciso, mas tenho coisas pra resolver e também quero ficar um pouco com meu marido, né?
E daí vem o título do blog, que tem a ver com o lema da gentileza também.
Empatia é uma forma de gentileza.
Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e tentar entendê-lo. Julgamentos a gente sempre faz, é inevitável: fomos criados de um jeito e temos a tendência de acreditar que o que fazemos é que é o certo. Nada de errado aí. O ruim é quando a gente não consegue ter empatia e tentar enxergar as coisas por uma outra perspectiva. E entender que o jeito do outro é bom pra ele e desde que não façamos mal pra ninguém, qual o problema?
Mas a vida ensina. Os filhos ensinam demais, pelo amor ou pela dor.
Quando eu só tinha a Ana, uma bebê que dormia bem a noite inteira desde os 7 meses, eu achava que crianças que não dormiam eram ou exagero dos pais ou alguma coisa que os pais estavam fazendo de errado.
Hoje eu acho que podem ser duas coisas: alguma coisa que os pais estejam fazendo de errado (eu ainda não consegui descobrir se nós estamos fazendo alguma coisa pra ajudar nesta péssima rotina de acordar cedo do Lucas) e a personalidade das crianças.
Algumas dão mais trabalho. Ponto. (e que Deus ajude que a fase passe logo...)
Mas o que me cansa, infinitamente, é a falta de empatia. É aquela pessoa que ao invés de te ajudar só joga na sua cara que você é que é uma incompetente. Que vc está fazendo tudo errado. Ou então que você é uma péssima mãe que não tem paciência com as fases normais do desenvolvimento da criança.
Muitas e muitas vezes eu cheguei a esboçar uma resposta pra alguma pergunta no face ou no Orkut (sim gente, o Orkut ainda existe e ainda há muita coisa boa por lá!) e acabei apagando. Algo do tipo: pra quê levantar polêmica? Esta resposta vai ajudar esta pessoa? Se não gente, vale a máxima: se não tem nada de bom pra dizer, fique de bico calado. Tão mais elegante, não é?
O pior são aqueles tópicos em que a mãe vai pedir ajuda porque, vamos supor, o filho dela ainda não fala direito aos 4 anos de idade. Obviamente esta mulher está preocupada, apreensiva, querendo que outras mães que estão passando ou passaram pela mesma situação que ela possam dar conselhos, um caminho à seguir ou simplesmente dar um consolo, um "eu te entendo". SEMPRE tem uma mãe sem noção que entra no tópico apenas para se gabar de como a cria dela já falava 1892276876 palavras com 1 ano e meio. Aí eu me pergunto: em QUE MESMO isto ajudou a pobre mãe? Em nada né.
Muitos vão argumentar que a internet é um espaço público - né? - e que ao fazer uma pergunta a pessoa tem que estar disposta a ouvir qualquer coisa.
Verdade. Mas não é mais elegante ajudar ao invés de criticar? Ou NO MÍNIMO, medir suas palavras? Na vida real, a gente normalmente se abstém de criticar porque sabe que é complicado. Mas na vida virtual muita gente se esconde atrás do avatar ou do anonimato pra falar o que vem na cabeça e ser cruel.
Empatia. O mundo anda precisando muito...

